Trilha na Levada do Rabaçal: natureza categoria uauBruno Barata/Reprodução

Poucos minutos separam o nível do mar de picos que se erguem a mais de 1.800 metros de altura. Vales profundos rasgam montanhas de vegetação densa e úmida. Falésias enormes (incluindo a mais alta da Europa e segunda mais alta do mundo, com exatos 586 metros) guardam a beira-mar de águas de um azul intenso. Cascatas? Se multiplicam na paisagem, inclusive nos lugares mais improváveis. Na praia? Tem, basta ir ao Seixal. No meio de uma estrada? Tem também, nos arredores da Ponta do Sol (com carros passando por baixo e turistas aproveitando a ducha ao mesmo tempo!). Basta colocar o pé numa trilha para começar a escutar o barulhinho de água.

Golfinhos brincando a poucos metros do barco: imperdível!Bruno Barata/Reprodução

Os 54 quilômetros de comprimento por 23 de largura da Ilha da Madeira, recheados de muito sobe e desce, são um verdadeiro playground para amantes dos passeios pela natureza, que aqui ganham de brinde um Patrimônio Mundial declarado pela UNESCO em 1999 como cenário: a floresta Laurissilva, que cobre cerca de 15 mil hectares da ilha, especialmente nas suas partes mais altas. Mais: acredita-se que cerca de 90% dela é constituída por mata primária. Resultado: a Madeira é terreno fértil para trekking, escalada, canyoning, BTT, rapel… isso sem falar no que se pode fazer no mar – de stand up paddle a surf, de mergulho a passeios de barco para ver de perto golfinhos e baleias. Anote aí: estes quatro passeios devem fazer parte de toda viagem à ilha:   

Passeio de barco para avistar baleias e golfinhos: tiro certeiroBruno Barata/Reprodução

Avistar baleias e golfinhos

Nada menos do que 28 espécies de golfinhos e baleias frequentam as águas que circundam o arquipélago da Madeira. O melhor: em qualquer época do ano, faça chuva ou faça sol, eles costumam aparecer para fazer a festa pertinho dos barcos (quando isso não acontece, as operadoras costumam oferecer outro passeio de graça). Biólogos a bordo e olheiros bem treinados em terra, os barcos saem em passeios que costumam durar cerca de três horas.

Parada estratégica na Fajã do Cabo Girão para almoço a bordo: enquanto os golfinhos não aparecem…Bruno Barata/Reprodução
Surpresa: almoço preparado pelo chef Selim Latrous a bordoBruno Barata/Reprodução

Depois de alguns minutos de navegação, fizemos uma parada estratégica para almoço a poucos metros da Fajã do Cabo Girão e – surpresa! – nosso chef a bordo era ninguém menos que Selim Latrous, o nome por trás do The Wanderer, que viríamos a conhecer poucos dias depois (leia mais sobre a experiência no restaurante dele aqui). Não havíamos chegado à sobremesa quando partimos em retirada tão logo o nosso olheiro avistou um grupo de animais perto dali.

Golfinhos! Eles apareceram em um grande grupo, brincando com a velocidade do barcoBruno Barata/Reprodução
E mais golfinhos!Bruno Barata/Reprodução

Pouco depois fomos acompanhados por longos minutos por um grupo de dezenas de golfinhos pintados do Atlântico, gorduchos que pareciam estar adorando brincar de corrida com o barco, saltando e rodopiado. Imperdível! Os passeios da Vip Dolphins podem ser feitos em iates tipo catamarã e custam desde € 57 por pessoa. É também possível fretar o barco para passeios privados (de € 950 a € 3.500, para até 17 pessoas). 

 

Cascata do Risco, o grand finale de uma levada: queda de 100 metrosBruno Barata/Reprodução

Percorrer uma levada

Corria o século 16 quando as mentes mais engenhosas da época descobriram uma maneira genial de distribuir a água que brotava nas partes mais altas da ilha, muitas vezes por condensação na floresta, até as zonas mais baixas e secas: construindo uma rede de aquedutos que rasgasse montanhas e vales, desafiando as leis da gravidade.

Imensidão verde: a Cascata do Risco vista do altoBruno Barata/Reprodução
O percurso: ótima sinalizaçãoBruno Barata/Reprodução

Nasciam assim as levadas, hoje um complexo circuito formado por cerca de 2.500 quilômetros de canais de irrigação que percorrem toda a ilha e escoltam trilhas incríveis dos mais variados níveis de dificuldade. Há percursos que podem demorar dias a serem percorridos, mas a maioria é feita em poucas horas e são passeios perfeitos para excursões de meio dia.

Detalhe de uma levada: aquedutos que formam um complexo sistema de irrigação por toda a ilhaBruno Barata/Reprodução

Escolhemos como ponto de partida para uma trilha de nível fácil o Rabaçal, com acesso pela Estrada Regional 110. A caminhada, feita a uma altitude média de 1.000 metros, nos brinda com lindos trechos de floresta Laurissilva e tem como highlight a Cascata do Risco, um curso d’água que despenca cerca de 100 metros na rocha, formando um longo traço branco (daí o nome!). A Adventure Kingdom organiza alguns dos melhores passeios pela natureza da ilha, por valores desde € 27 por pessoa.

 

Passeio de jipe: a melhor maneira de chegar nos cantos mais intocados da MadeiraBruno Barata/Reprodução

Fazer um Jeep Tour

A geografia da Madeira é um constante desafio às deslocações e há trechos que só mesmo um 4X4 consegue vencer, descortinando cenários ainda mais surpreendentes e chegando em lugares pouco frequentados (vez ou outra, com uma dose extra de adrenalina).

Amanhecer fora de estrada: há caminhos que só os 4X4 conseguem percorrerBruno Barata/Reprodução
Flor típica da Madeira: parte do cenárioBruno Barata/Reprodução

O destino podem ser levadas de acesso mais difícil, estradas históricas, vilas plantadas em vales profundos ou os pontos mais altos da ilha – no nosso caso, um espetacular nascer do sol acima das nuvens no Pico do Areeiro, a exatos 1.818 metros de altitude, por caminhos alternativos onde não havia mais ninguém, seguido por percursos desafiadores até o Curral das Freiras em meio à floresta densa, com uma paisagem beirando o surreal. Quem leva: Madeira True Spirit.

 

O teleférico que leva à Fajã dos Padres: 300 metros de descida quase na vertical, vencidos em dois minutos e meioBruno Barata/Reprodução

Visitar uma fajã

Os dois minutos e meio dentro da cabine do teleférico vencem cerca de 300 metros quase na vertical e dão a sensação de estarmos voando. De um lado, a falésia abrupta; do outro, o mar. O destino? A mais famosa fajã da Ilha da Madeira, uma língua de terra agrícola entre uma coisa e outra, banhada por águas cristalinas. Só se chega à Fajã dos Padres assim: de teleférico (€ 10; a estação fica a 10 quilômetros de distância do Funchal) ou de barco.

Vista da Fajã dos Padres: bons mergulhosBruno Barata/Reprodução
Água com temperatura friendly e transparenteBruno Barata/Reprodução

Uma vez lá embaixo, caminha-se entre bananeiras, abacateiros e mangueiras até chegar à beira-mar: uma prainha de pedras com um pequeno cais que avança mar adentro e faz as vezes de deck para espreguiçadeiras e cangas.

Grande finale à beira-mar: lapas, peixe e um vinho para acompanharBruno Barata/Reprodução

Um vinho branco gelado é a melhor companhia para as lapas e o atum servidos no restaurante local. Depois é só tomar o rumo de casa falésia acima (no meu caso, de olhos bem fechados para não morrer do coração).