“O que mais atrai o turista para Minas Gerais é o mineiro”. Essa é a percepção de representantes do setor, como Milena Soares, analista de Turismo da Fecomércio-MG. Segundo ela, a versatilidade de Minas para oferecer praticamente todos os segmentos de turismo – natureza, histórico, cultural, gastronômico – é ponto significativo, mas torna-se ainda mais relevante com o tempero da mineiridade. “Temos belezas naturais exuberantes e um rico patrimônio histórico, mas o jeito de ser do mineiro, a experiência da mineiridade, tem um lugar especial no coração das pessoas. O jeito de tomar café, de falar o mineirês, a conversa que acontece no coração da casa – a cozinha – são diferenciais. O Brasil todo tem atrativos naturais e Minas é um dos estados que possuem o maior número deles, mas a nossa empatia na hora de tratar o turista faz muita diferença”, ressalta.

Mais foco na Mineiridade
O governo mineiro instituiu que 2022 será o ano da Mineiridade, com investimentos e ações para atrair mais turistas interessados na diversidade de atributos que as terras mineiras oferecem. O maior fluxo de visitantes é esperado em todas as regiões, mas tende a se manter forte nos principais destinos, como o Sul de Minas, as cidades históricas e do circuito das águas, além da capital Belo Horizonte. Dois programas estaduais – o Reviva Turismo e o Descentra Cultura – unem forças no Ano da Mineiridade, promovendo, na prática, a transversalidade entre Cultura e Turismo.

“Ao visitar um destino mineiro, o turista precisa de tempo para se envolver com o local. É o ‘senta aqui, vamos tomar um café e comer um pão de queijo’. Na prática, quando o empresário do setor vai montar um roteiro turístico, ele precisa pensar nessas pausas, nesses momentos, criando oportunidades para que o visitante explore o que há na sua localidade, como ver o preparo de um doce feito pela ‘dona Maria’ enquanto ela conta a história de como aprendeu a receita. Saem na frente os destinos mais profissionalizados, que oferecem a experiência da mineiridade de forma mais qualificada. Por exemplo, a ‘dona Maria’, do doce, precisa ter sua parcela de ganho financeiro, precisa ser valorizada”, diz a analista da Fecomércio-MG.

Números positivos
Em 2022, destinos mineiros aparecem no topo da lista de lugares mais acolhedores do Brasil segundo a premiação Traveller Review Awards. Realizado pela plataforma de reservas booking.com, o levantamento considerou 232 milhões de avaliações de viajantes que escolheram a cidade de Monte Verde como a número 1 do ranking, seguida por Lavras Novas. Em 2021, o estado ocupou a lista das dez regiões mais acolhedoras do mundo, confirmando que o jeito mineiro de receber é um dos principais atrativos turísticos de Minas Gerais.

O balanço do turismo mineiro foi favorável em 2021 e segundo quem atua no setor, mantém as perspectivas otimistas. Um dos responsáveis pela retomada das atividades da cadeia produtiva, no contexto da Covid-19, foi o programa estadual Reviva Turismo, lançado no ano passado. Com medidas centradas nas tendências pós-pandemia e segmentos prioritários como cozinha mineira, turismo cultural, rural, de aventura, de natureza e de experiências, a iniciativa foi baseada em quatro eixos estruturantes e de suporte ao desenvolvimento do turismo e da economia criativa: biossegurança, infraestrutura, capacitação e marketing.

Desde o lançamento do Reviva Turismo, o fluxo turístico em Minas vem crescendo e registrou, em alguns períodos, números maiores que os anteriores à pandemia. De acordo com o Observatório do Turismo de Minas Gerais, no Aeroporto Internacional de Confins, uma das principais portas de entrada em Minas Gerais, em agosto de 2021 o fluxo contou com mais de 100 mil novos viajantes pelo estado: cerca de 670 mil pessoas contra cerca de 570 mil em agosto de 2019.

“Mais de 20 mil empregos foram gerados até o final de 2021 e a expectativa é gerar, ao todo, 100 mil até o final de 2022. Segundo o IBGE, o setor turístico de Minas cresceu 19,7% sendo que a média nacional foi de 11% com incremento da receita de 26%”, avalia Milena Pedrosa, subsecretária estadual de Turismo acrescentando que o Reviva Turismo foi desenvolvido juntamente com as principais instituições de classe representativas da sociedade civil e do trade turístico: “Quando o programa é coletivo, ele se fortalece.”

Integração
Minas vem ganhando maior espaço no cenário turístico nacional e até mesmo internacional desde os anos 90. Vários fatores contribuíram para essa ascensão, como o trabalho conjunto entre governo estadual e municípios. A mudança de perfil dos turistas também foi favorável, uma vez que passaram a ter mais interesse por viagens que associam a natureza à cultura – algo forte em Minas Gerais. A integração entre a área de Turismo com as de Patrimônio Histórico e de Meio Ambiente também vem colaborando para a melhor estruturação do setor, além de contribuir para a preservação ambiental e dos bens artístico-culturais.

“As instâncias de governança cada vez mais têm, em sua formação ou nos conselhos municipais de turismo, representantes dessas áreas que são extremamente importantes. Um exemplo são as regiões onde há potencial para turismo em cavernas, ou em parques, em que a junção entre os órgãos que trabalham com meio ambiente e turismo está mais organizada”, afirma a professora Ana Paula Guimarães Santos de Oliveira, do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais.

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